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Entendendo as alergias no Brasil

25/01/2010

Ataualpa Reis*

Segundo pesquisas recentes, as alergias atingem 30% a 35% dos brasileiros. Também chamada de reação de hipersensibilidade, a alergia é uma resposta exagerada do sistema de defesa quando o organismo é exposto a uma determinada substância estranha. Essa reação ocorre em pessoas predispostas geneticamente e que já tenham sido sensibilizadas previamente por aquele agente.

As alergias resultam de uma combinação da bagagem genética individual, que torna o organismo de algumas pessoas mais sensível, com fatores agressivos presentes no ambiente, chamados alérgenos. Os mais comuns estão dentro do próprio domicílio. São os ácaros encontrados na poeira, restos e fezes de baratas, mofo, pêlos de animais domésticos, fumaça de cigarro, pólen e esporos de fungos, além de certos alimentos, medicamentos e produtos químicos.

Quando uma pessoa alérgica entra em contato com algum desses agentes, seu sistema de defesa reage de forma exagerada, produzindo os sintomas desconfortáveis das alergias.

No período do inverno as mudanças do clima favorecem as crises respiratórias – a asma, inclusive. O tempo mais seco diminui as secreções e as defesas que guardam as vias aéreas, deixando-as mais vulneráveis aos agentes que desencadeiam as alergias. O frio e o fenômeno das inversões térmicas também dificultam a dispersão dos poluentes do ar, outro fator agressivo para os alérgicos. Além disso, as pessoas tendem a passar mais tempo em locais fechados e com maior aglomeração, o que facilita o contato com os alérgenos.

Os sintomas mais frequentes das alergias respiratórias incluem espirros constantes, coriza, sensação de nariz entupido ou de “cabeça pesada”, coceira nos olhos, no nariz, no céu da boca e na garganta. Já nas crises de asma, os pacientes têm “chiado”, tosse, falta de ar, sensação de “aperto” no peito e cansaço. O incômodo é maior, sobretudo, à noite ou ao acordar e tende a piorar com esforço físico.

No verão as alergias respiratórias tendem a melhorar com o tempo mais firme e melhor umidade do ar, porém aparecem neste período as alergias cutâneas e as de contato por substâncias usadas para a prevenção dos efeitos do sol. São comuns aqui as urticárias e as dermatites.

Uma das doenças alérgicas mais preocupantes é a asma brônquica, que já atinge uma de cada quatro crianças na faixa dos 6 aos 14 anos, conforme um estudo internacional (ISAAC) concluído em 1998 e confirmado em 2003 e 2006 com publicação internacional no Lancet. Os casos mais graves geram 350 mil internações por ano no País e gastos da ordem de R$ 76 milhões para o Sistema Único de Saúde. Sem contar que a mortalidade por asma dobrou nos últimos 30 anos. Uma das principais formas de deter as crises é fazer o tratamento preventivo, sob a orientação médica. Outro cuidado fundamental é manter os ambientes limpos, livres de ácaros e poeira: encape colchões e travesseiros com tecidos impermeáveis; use pano úmido e produtos que eliminem o mofo no chão e nas paredes; remova tapetes, cortinas e bichinhos de pelúcia; deixe os ambientes ventilados e iluminados pelo sol. E – muito importante – não permita cigarro em locais fechados e perto de crianças.

Você sabia que…

• A asma, que muitos preferem chamar de bronquite, é a doença crônica mais comum na infância e que tem tratamento preventivo, podendo diminuir muito o número de crises e as visitas ao pronto-socorro?

• Aquele “eterno” resfriado caracterizado por crises de espirro, coceira no nariz, obstrução nasal e dificuldade de dormir, por nariz trancado, pode ser na verdade rinite alérgica?

• Urticária são placas avermelhadas que coçam e aparecem e desaparecem no corpo todo, podendo estar relacionadas a medicamentos ou alimentos?

• Alergias por picada de alguns insetos como abelhas, vespas e formigas exigem acompanhamento médico, pois podem causar reações graves?

• Alergias alimentares ocorrem em adultos e crianças sendo os principais vilões os crustáceos, amendoim, leite e ovo e que devem receber orientação adequada para não levarem ao choque anafilático?

Medidas para prevenir as alergias respiratórias e a asma

• Manter os ambientes secos e abertos, permitindo a circulação do ar e a entrada dos raios de sol, capazes de destruir os ácaros

• Incentivar as crianças a brincar ao ar livre, agasalhando-as no tempo de frio

• Encapar colchões, travesseiros e almofadas com plástico ou tecidos impermeáveis

• Trocar a roupa de cama pelo menos uma vez por semana, lavando-a em água quente

• Usar cobertores antialérgicos, lavando-os regularmente e deixando ao sol para secar

• Evitar plantas, animais de estimação, bichinhos de pelúcia, tapetes ou carpetes, livros e brinquedos acumulados no quarto das crianças

• Retirar as cortinas ou usar aquelas de tecido sintético, mais finas, curtas e presas por argolas para facilitar a remoção e a lavagem a cada 15 dias

• Substituir a vassoura por pano úmido na limpeza diária, afastando as pessoas alérgicas

• Aplicar produtos antimofo e acaricidas em carpetes, frestas e cantos dos móveis

• Não usar inseticidas em spray, nem espiral

• Jamais fumar dentro de casa, perto de crianças ou mesmo de adultos alérgicos

*Ataualpa P. dos Reis – Médico alergologista titulado pela Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, professor de pós-graduação convidado da UFMG e Santa Casa de Belo Horizonte

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2 Comentários leave one →
  1. FERNANDA permalink
    20/04/2011 06:13

    Comentário: Não estou conseguindo comprar o spray Nasonex para o meu filho ele tem rinite e co este tempo ele fica muito ruim,estou tentei um similar mas não está dando certo,e alm disso não tem generico deste remedio,gostaria de saber se não consigo algmas amostra gratis.Só para saber ele custa mais ou menos R$72 reais,sou sozinha cuido do meu filho só ,sera que vocês poderiam me oientar para conseguir este remedio de graçapara meu filho?desde já agradeço.

    • ABRA/MG permalink*
      12/05/2011 21:04

      Fernanda,
      Obrigada pelo comentário. A ABRAMG não fornece amostras de nenhuma medicação.
      É dever do Estado (União, Estados, Municípios) zelar pela saúde de todos os brasileiros, inclusive asmáticos e alérgicos. A ABRAMG vem unindo esforços na luta para conseguir melhorar a qualidade de vida dos asmáticos, o que inclui o fornecimento de medicação necessária ao controle da doença. Isso não é tarefa fácil. Filie-se à ABRAMG!
      Sua participação nas palestras é fundamental.
      Junte-se a nós!

      Forte Abraço,
      A Moderação.

      Telefone da ABRAMG: (031) 9762-1333.

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