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Asma e Esporte: Verdades e Mitos

14/02/2010

*Guilherme Cardoso Parreiras e Corina Toscano Sad

Asma é uma doença que causa inflamação crônica dos brônquios, tubos que levam o ar até aos alvéolos onde o sangue é oxigenado. Esses tubos são capazes de se estreitarem por estímulos diversos o que nós chamamos de reatividade exagerada das vias aéreas. Este estreitamento é conhecido como broncoespasmo, que junto com a inflamação levam a limitação do fluxo de ar causando os sintomas da doença. Tal alteração pode ser reversível espontaneamente ou com uso de medicações com efeito broncodilatador.

É a doença respiratória mais frequente na infância e adolescência. Nestes grupos é a principal causa de faltas à escola e dados de diversas pesquisas mostram que a doença está aumentando em todo o mundo, incluindo o Brasil. Cerca de 10% das crianças e 5% dos adultos têm asma. Pode ter início em qualquer idade, mas mais frequentemente se manifesta na infância com alguma melhora na fase adulta.

É uma doença crônica, de provável causa multifatorial e que não tem um tratamento que leva a cura definitiva, como ocorre em outras doenças respiratórias (exemplo: dor de garganta, dor de ouvido, pneumonia…). Entretanto as medicações hoje disponíveis, desde que usadas corretamente, são extremamente eficazes para o controle dos sintomas proporcionando ao paciente levar uma vida igual às pessoas saudáveis.

Os principais sintomas são a falta de ar, chieira, tosse seca e sensação de aperto no peito, com uma tendência de agravamento no período noturno. Várias situações podem desencadear ou mesmo agravar estes sintomas. Entre elas podemos citar alterações bruscas de temperatura, contato com poeira e mofo, infecções virais, fatores emocionais e o esforço físico. Outras doenças com característica alérgica costumam estar associadas com a asma, como rinite e o eczema na pele. O diagnóstico se baseia na presença dos sintomas e na realização de exames que demonstrem obstrução ao fluxo de ar detectada pelo pico de fluxo expiratorio e/ou espirometria. Caracteristicamente esta obstrução melhora logo após o uso de broncodilatador (o que chamamos de resposta broncodilatadora positiva) e é um marco importante para o diagnostico de asma.

Como acomete os pulmões, a melhor forma de tratamento é através de medicações inalatórias, que agem diretamente nestes órgãos sem precisarem ser absorvidas pelo organismo. Desta forma podemos utilizar menores doses evitando a ocorrência de efeitos colaterais. O tratamento se baseia no uso de dois grupos de medicações:

1) as que levam a melhora dos sintomas nos momentos de crise. Têm como efeito a dilatação dos brônquios aliviando o mecanismo causador dos sintomas. A principal classe é a dos β agonistas, como o Salbutamol e Fenoterol.

2) as que têm um efeito antinflamatório, atuando diretamente na causa da doença e prevenindo a ocorrência dos sintomas e crises. Estão indicadas em todos os pacientes que apresentam sintomas frequentes ou crises graves recorrentes. Como exemplo podemos citar os córticóides inalados (exemplo: Beclometasona, Budesonida e Fluticasona).

Durante muito tempo pensou-se que a prática de atividades físicas (tradicionalmente a natação) seria uma boa opção para o tratamento da asma. Hoje sabemos que isto não é verdade e que inclusive o exercício pode ser um dos desencadeantes dos sintomas. O resfriamento da parede dos brônquios que acontece durante a respiração intensa provocada pelo exercício pode ocasionar uma crise de broncoespasmo no asmático. O mais característico é que isto ocorra 5 a 10 minutos após o término da atividade física. Por ser um esporte realizado em ambiente rico em vapor de água, tal resfriamento não costuma acontecer durante a natação, daí a crença de que este esporte melhore ou até cure a asma. Entretanto, de maneira alguma os demais esportes estão contra indicados, pois são uma prática saudável com benefícios físicos e mentais já amplamente comprovados em todas as faixas etárias.

Pacientes bem controlados têm capacidade de levar uma vida normal, inclusive podendo se tornar atletas profissionais de alto nível. Como exemplo podemos citar os nadadores Nicholas dos Santos, medalhista no Mundial de Piscina Curta de Indianápolis de 2004, e o francês ex- recordista mundial dos 100 metros livres e medalha de ouro nesta categoria nas Olimpíadas de Pequim, Alain Bernard. Outra ilustre atleta asmática brasileira é a craque Marta Vieira da Silva, eleita por duas vezes a melhor jogadora de futebol do mundo.

Em alguns pacientes, mesmo com o uso regular das medicações antinflamatórias e o controle da doença, podem ocorrer sintomas durante a prática de atividades físicas. Nestes casos é indicado o uso dos broncodilatadores 30 minutos antes do início dos esportes, com boa resposta.

Desta forma, os pacientes com asma devem ser orientados da importância do uso regular das medicações prescritas para poderem atingir um bom controle de seus sintomas. Com isso podem realizar atividades físicas sem receio e quem sabe se tornar novos campeões.

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